Anos de descaso, administrações priorizando o absurdo; voluntários sendo descartados por analfabetos por simples desejos políticos; transporte escolar insuficiente e sucateado; plano municipal de educação descumprido; professores mal-formados; gestores incapazes em muitos casos; secretária de educação sem autonomia e recursos; equipe de gestão descompromissada com a causa das escolas; ausência completa de gestores da secretária que se utilizam de laranjas para falsear o trabalho de acompanhamento necessário; plano de ações articuladas (PAR) esquecido e consequentemente descumprido; média inferiorizada nos índices do MEC (ministério da educação e cultura) e muito mais... Tudo isso ainda veio a se somar nos últimos meses a salários atrasados. O que diante de tanta irresponsabilidade juntas, não parece ser o pior. Mas para os que trabalham como para os que fingem trabalhar, salário é fundamental e essencial. Afinal, há colegas que se utilizam desses para comprar material para trabalhar e sem ele, fica muito pior.
Decretou-se em assembléia da minoria: greve!!!.
E lá se foram nossos meninos e meninas para casa, alguns até deixando os cadernos e os livros guardados na escola, esperar a vontade do maioral, do burro-mestre, que se quer sabemos se tem alguma vontade além da de permanecer no poder, juntamente com seus pupilos.
Nas assembléias o desrespeito de sempre. Falta de representatividade do governo. Falta de representatividade massiva dos professores. Sindicato com cara de patronal e o marasmo característico dos que submetidos a anos de penúria, já se acostumaram às mazelas. Já se calejaram e assim parecem anestesiados. Nas escolas o sinal de luto:”ESTAMOS EM GREVE:PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS MERECEM RESPEITO”, era o que se lia na fachada da escola São Sebastião em Cuité.
Foram-se mais de um mês de paralisação naquilo que já estava devagar. Duzentos dias letivos não nos pertencem mais. Se sem greve já não cumpríamos o calendário que ironicamente prioriza os feriados e imprensados em detrimento dos dias necessários de aprendizado, imaginem “quão bão” acharam os burocratas a antecipação das férias.
Sem a participação esperada e necessária, o movimento parece que enfraqueceu e não houve outra alternativa se não voltar ao trabalho sem conquistas. Salários continuam atrasados, as promessas continuam descumpridas, o choro da secretaria de educação continua sem lágrimas e a miséria moral continua a vagar nos corredores favelizados de nossas escolas, que se são pobres de material, agora angariaram pela fraqueza da maioria, mais uma pobreza: a de espírito. Pois nem na hora de lutar pelo que de direito lhes pertence, nossos formadores de opinião conseguem reunir maioria necessária para enfrentar a ignorância e a ingerência desses patifes mascarados de gestores, que vivem de alimentar o ócio de suas falsas oligarquias e de outras a nível de estado, com o suor de nosso labor constante.
O arroto gostaria de parabenizar aos professores que, dando um bom exemplo, puxaram a espada para defender os comodistas e mesmo sem conquistas sólidas mostraram-se dispostos em dizer não aos que insistem em dizer sim ao absurdo.
GREGÓRIO DO MATTO
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